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Dezembro/2009
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Após a queda
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Educar para a comunicação
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10
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  Dezembro/2009
 
   
  Educar para a comunicação
 
ENTREVISTA
Alvaro Benevenuto Junior possui doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (2005), é pesquisador titular do núcleo Comunicação, Cultura e Sociedade e professor adjunto da Universidade de Caxias do Sul.
Painelista na Conferência de Comunicação, etapa municipal, o professor defende o amplo debate sobre a comunicação.
Imagem Sinpro
Foto Fabian Tamura- Câmara Caxias
 

PRESENÇA: Você foi painelista na 1ª Conferência de Comunicação, em Caxias do Sul. Qual a importância desse processo nacional da Conferência? Quais as expectativas que a sociedade pode ter em relação a avanços?

Professor Álvaro: A conferência dá prosseguimento ao que chamo de processo de apropriação do direito inato à comunicação que a cidadania tem. Ela significa o reconhecimento institucional, parte da regulamentação desse direito, que até então estava apenas registrado como um tópico da extensa Constituição em vigor, de 1988. Quando se observa a mobilização social ao redor das conferências locais e estaduais, apesar de ser pequena em volume, percebe-se a magnitude do tema para a sociedade civil brasileira, diante dos grandes avanços da comunicação eletrônica de massa, da convergência digital e da telefonia. É importante ressaltar que, mais uma vez, a técnica, ao cumprir seu papel social de apresentar soluções aos problemas estruturais da comunicação, demanda ações para o intelecto no sentido de regular a exploração e uso dos meios, as responsabilidades dos operadores e de trabalhadores; reavaliar o enquadramento do serviço e rever as concessões das emissoras.
É um trabalho duro e que tomará muito tempo.

PRESENÇA: Como é o seu trabalho em uma escola do município com "Alfabetização Audiovisual"?

Professor Álvaro: O mundo de hoje está transformado em imagens e em shows. É a tendência que se tem observado desde que os aparatos de captura de imagens e sons se popularizaram e a distribuição encontrou o apoio da internet.
Preparar a sociedade para participar conscientemente desse processo é uma tarefa que se apresenta urgente, pois o show deve continuar... e se ele tiver conteúdos interessantes, melhor ainda. É por isso que tenho trabalhado com os estudantes do ensino fundamental da rede do município de Caxias (Escola Ramiro Pigozzi) num projeto que chamo de "Alfabetização Audiovisual", isto é, estou preocupado em familiarizar estudantes e professores com as técnicas de construção audiovisual, provocando-os a produzir sozinhos conteúdos importantes para o conhecimento acadêmico. É uma atividade que integra o projeto de disciplinas de humanidades (língua, ciências sociais aplicadas e filosofia) e transforma a entrega do trabalho do ano num produto audiovisual, que apresenta o olhar dos grupos envolvidos sobre as questões do cotidiano. Os alunos fazem um minidocumentário audiovisual a respeito dos itens abordados pelas disciplinas. Isso significa, diretamente, a instrumentalização de estudantes e professores para o uso das ferramentas do audiovisual dentro de um propósito pedagógico. Mais distante, opera-se no âmbito da democratização da comunicação e na direção da educação para os meios, que permite aos indivíduos participantes constituir outras relações com os meios de comunicação, entender os processos de construção das informações que nos são oferecidas a todo instante.

PRESENÇA: Você acha que existe, nas instituições de ensino, educação para a comunicação? Onde os professores podem buscar informações sobre como trabalhar de forma crítica a comunicação na educação?

Professor Álvaro: As instituições de ensino ainda não compreenderam a importância de se educar para interpretar a comunicação. São muitos os motivos que justificam essa falta de atenção, porém, percebe-se que há um movimento importante nessa direção, a exemplo do trabalho que tenho realizado com os estudantes do ensino fundamental. Preparar para ler a mídia, estar consciente da presença econômica dos meios e oferecer oportunidades de livre expressão, através de instrumentos de difusão de conteúdos, são atividades que algumas instituições educacionais têm adotado como prática e isso é muito bom. Tanto para a escola, como para o professor e para o estudante. Tudo, entretanto, demanda preparação. O professor pode encontrar muita informação a esse respeito na própria rede mundial de computadores. Basta solicitar pesquisa a respeito da Educomunicação, ou das práticas de educação para a mídia. Há muitos pesquisadores que têm refletido a esse respeito e já existem boas referências sobre o tema.

PRESENÇA: Questionados sobre quais meios de comunicação utilizam para se informar, a maioria dos professores citou a grande mídia tradicional . O que você acha disso? Como os professores podem buscar informações mais qualificadas e idôneas?

Professor Álvaro: Os resultados que a tabulação forneceu demonstram a importância de buscar outras referências para consolidar a educação plural. E não me surpreende, pois a máquina de publicidade do mercado da mídia é muito forte e tem raízes profundas nas memórias. Isso dá credibilidade e nada melhor que a credibilidade para fortalecer um meio de comunicação.
Entretanto, é necessário verificar o quanto esse meio consolidado como o melhor – no imaginário social – está sob a influência de grupos de interesses diversos aos do coletivo social. A melhor forma de verificar os índices de credibilidade do veículo é proceder um estudo desde as suas origens até a distribuição. Faça a análise dos feedbacks, comentários publicados, criadores e mantenedores, etc.

PRESENÇA: Você vê avanços na democratização da comunicação no país, no estado, em Caxias?

Professor Álvaro: O ambiente da comunicação precisa ser democratizado com maior rapidez e intensidade, mas não há como negar que temos maior espaço de expressão do que há poucos anos atrás. Isso aconteceu por que muitas lideranças empreenderam grandes campanhas pela mudança do quadro de exclusividade da expressão para aqueles que estavam nas redações. É pouco. Já foi pior, mas precisa melhorar muito.

   
   
   
 
 
 
 
 
 
 
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